Todos os credos e agremiações adotam distintivos para uso dos seus profitentes.
Jesus também imaginou e criou uma insígnia para os seus discípulos, de modo que eles se distinguissem inequivocamente dentre os demais, onde quer que se apresentassem.
Como tudo o que parte do divino Mestre se caracteriza pela espiritualidade, aquela insígnia nada tem de material.
Ninguém poderá vê-la com os olhos do corpo, porque não tem forma, nem feitio algum; tão pouco se ostentará por este ou aquele colorido ou matiz, apresentando combinações mais ou menos felizes de nuances que possam afetar agradavelmente a vista.
Não obstante, trata-se de sinal bem distinto, bem vivo e definido, que tem impressionado e continua impressionando toda gente, mesmo os adversários da fé, a qual semelhante distintivo simboliza com perfeita fidelidade.
Vejamos o que é, e como o Senhor o manufaturou.
Penetrando o sacrário augusto de sua alma santa, Jesus retirou dali uma parcela de certo sentimento. Fundiu-a em seguida no cadinho do seu coração, imprimindo-lhe certa dose de corporeidade para que tão preciosa jóia, em contacto com o homem, pudesse conservar-se incólume. Deu--lhe depois os revérberos do ouro em fusão, deixando-a por algum tempo mergulhada no cibório sagrado do seu Espírito divino. Após esta última demão, o Senhor contemplou demoradamente o emblema que havia forjado e achou-o consoante o seu desejo e de perfeito acordo com o ideal no mesmo encarnado.
Chamando então os discípulos, assinalou-os todos com aquele símbolo, que se multiplicava em suas mãos como outrora os pães e os peixes, à medida que se apresentavam os candidatos a recebê-lo.
E Jesus dizia-lhes: Nisto, agora, conhecerão todos que sois meus discípulos: em vos amardes uns aos outros como eu vos amei.
Do livro Em Torno do Mestre (3ª edição) de Vinícius.