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O acidente que aconteceu na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul, onde a boate Kiss pega fogo e até agora 237 mortos, deixa todos perplexos diante de tamanho sinistro.
Foram desgraças providencias de Deus em razão daquelas criaturas encontrarem-se em lugar de pouca condição moral, dizem uns; outros, atribuem às irresponsabilidades dos proprietários e de órgão do Estado que teriam atribuições para protegerem àquelas pessoas. Para alguns espíritas, é o resultado de ações do passado e que na presente reencarnação encontraram no incendio a porta para redimirem-se dos últimos resquícios dos débitos atávicos.
Bom, cada um discute à sua maneira. O certo é que se foram 237 vidas até o presente momento. Essas vidas tiveram ligações com famiares que deixaram por aqui e sofrem muito a falta desses entes queridos, e sofrem mais ainda quando vislubram o sofrimento de cada uma delas tentando se desvencilhar do fogo devorador. Isso importa muito.
Dizer a essas famílias que a vida continua e que os seus parentes foram "arrebanhados" por um psiquismo que proporcionaram a todos os que morreram uma oportunidade de reajuste dos sentimentos de culpa inscrustrados em suas mentes desde épocas passadas, pode não aliviar-lhes o sofrimento agora, visto que esses familiares, motivados por diversas crenças e paixões, talvez não consigam vislubrarem tal proposição. Essa parte é cicatrizadz aos poucos; com o passar dos tempos. Falar sobre tragédias coletívas agora talvez não surta o efeito desejado.
E essas criaturas que perderam a vida nesse estúpido acontecimento o que estarão fazendo agora? O que estão pensando? O que sentem? Como estão? Viraram anjos? Demônios? Já foram condenados? Já receberam a sentença de absolvição? Já acordaram? Ainda existem? Já se despreenderam totalmente dos seus invólucros?
Para estes, o Espiritismo pode fazer muito se os que se dizem espíritas seguissem os caminhos propostos pelo Mestre Lionês que escreve no livro O CÉU E O INFERNO ou A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO no item 15 do Capítulo I da 2ª Parte o seguinte texto:
Além disso, ele dá, a cada um, os meios de facilitar o desprendimento de outros espíritos no momento em que eles deixam o seu invólucro terrestre, e de reduzir o tempo da perturbação pela prece e pela evocação. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se uma desagregação mais rápida do fluido perispiritual; por uma evocação conduzida com sabedoria e prudência, e com palavras de benevolência e de encorajamento, tira-se o espírito do entorpecimento em que se encontra, ajudando-o a se reconhecer mais cedo; se ele está sofrendo, deve-se estimulá-lo ao arrependimento que só pode abreviar os sofrimentos. (grifo meu).
Pelo texto e pela experiência de alguns poucos espíritas que se aventuram nesse mister sabe-se que há a possibilidade da ajuda a quem acaba de desencarnar facilitando sobremaneira o despendimento dos involucros. Isso é fato. Porém, no mesmo texto há uma observação que Kardec talvez teria que reforçar ou retirá-la do Espiritismo exatamente porque os "espíritas de hoje", pouco comprometidos com o estudo sério e a pesquisa da Doutrina, já o fizeram: aboliram a EVOCAÇÃO . E agora? Se verificarmos atentamente o texto, vê-se que Kardec fala da "evocação conduzida com sabedoria e prudência", atributos que faltam ao espíritas de hoje", doutrinadores do ocaso. Talvez não o façam pela dificuldade que encontram em pautar-se pelas duas condicionantes apresentadas por Allan Kardec.
Kardec está ultrapassado ou não queremos entendê-lo?
O certo é que se não entendermos Kardec, jamais entenderemos o Espiritismo, exatamente porque Kardec encarna em si mesmo o Espiritismo.
E aí, vamos ficar de braços cruzados esperando os outros fazerem?
O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina. (O Céu e o Inferno - Allan Kardec)