No Livro Segundo do Livro dos Espíritos, Kardec trata do Mundo espírita ou dos Espíritos, onde faz um apanhado desde a origem e natureza dos espíritos, passando pela forma e, a partir da pergunta nº 96 trata das diferentes ordens de espíritos.
Pois bem, exatamente na pergunta 96 Kardec pergunta se os Espíritos são iguais ou existe entre eles uma hierarquia, tendo como resposta que eles, espíritos, são de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição ao qual chegaram. Já na questão 97 os próprios Espíritos explicam que, havendo um número ilimitado de ordens ou de grau de perfeição entre eles, e que não existe demarcação perfeitamente distinta entre elas, optam em classificar o grupo de Espíritos existentes em apenas três grupos principais, levando-se em consideração os caracteres gerais.
Em primeiro lugar estão os Espíritos que já alcançaram a perfeição possível e os classificam como Espíritos Puros. Os da segunda ordem alcançaram por isso mesmo apenas a metade da escala e a característica marcante desse grupo é o desejo do bem como preocupação constante. Já os da terceira ordem, ou seja os últimos, são caracterizados pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o progresso.
Ao questionar sobre a segunda ordem, talvez por achar-se nela, Kardec pergunta se esses tem apenas o desejo do bem ou terão também o poder de praticar esse mesmo bem, o que os espíritos responderam afirmando que eles dispõem desse poder, segundo o grau de sua perfeição. Dizem ainda que alguns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade, mas, arrematam eles, todos têm ainda provas a suportar.
É mister deixar claro que no Espiritismo quando se emprega a palavra Espíritos remetem-nos àqueles que já desencarnaram, faleceram, morreram para a Terra, como o queiram chamar, diferentemente do termo Alma que é empregada para aqueles que ainda estão encarnados. Como a doutrina dos Espíritos deixa claro que ao desencarnar o espírito leva consigo as boas ou más inclinações, chega-se facilmente à conclusão que não nos tornamos santos somente pelo ato de morrer. O que aprendeu mais, continua a saber mais do que aquele que não aprendeu tanto. O que fez mais boas ações em prol de si e do próximo, melhor condição terá amealhado para si do que mesmo aquele que apendeu tanto e não traduziu em ações concretas o seu conhecimento.
Na pergunta 99 Kardec questiona se os espíritos da terceira ordem são essencialmente maus, recebendo como resposta um não. Acrescentam, porém, que alguns não fazem o bem e nem o mal; outros, se comprazem no mal e ficam satisfeitos com ele quando encontram oportunidade de fazê-lo. Outros, os levianos, enganadores mais que malvados, comprazem-se na malícia e sentem prazer em mistificar e causar pequenas contrariedade, das quais se riem.
Analisando um pouco sobre essa parte do Livro dos Espíritos, verifica-se que a igualdade exigida por certas classes de pessoas, nem de longe representa a realidade do mundo espiritual, principalmente pelo diferencial do caráter moralista, empregado na mais alta acepção da palavra. Igualdade no mundo espiritual é respeitada somente para os iguais. Os diferentes são tratados de forma diferente, jamais com indiferença.
Para os que se julgam em condições de alcançar Deus logo de cara ao morrer, devem entender que as condições exigidas para atingir a primeira ordem, ou seja, ser um espírito puro, reencarnações quase intermináveis são necessárias, bastando estudar mais amiúde as características dos que se encontram na segunda ordem: o domínio da ciência pode não dar-lhe a sabedoria e nem a bondade e, segundo os próprios Espíritos, quem nessa ordem se encontrar ainda tem provas a suportar.
Qual delas nos encontramos? Pense bem!
Qual delas nos encontramos? Pense bem!